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A mulher que quero ser...

Atualizado: Out 7

Fotografia de Rovana Botelho, filha de Ruth Guimarães Botelho

Texto de Gabriela Salles, historiadora e membro do IEV.


Mais um Dia Internacional das Mulheres se aproxima e novamente temos nossa atenção voltadas às mulheres, à nós mulheres. Como podemos viver esse dia? Podemos comemorar esta data? Devemos refletir sobre o momento em que vivemos ou ainda deveríamos nos abster ou nem mesmo pensar sobre essa data.


Recordo-me dos pensamentos que tinha durante meu período escolar, em que acreditava que uma mulher forte e inspiradora deveria ser uma mulher sozinha, independente, autônoma e autossuficiente, e que somente assim, uma mulher poderia ser plena e livre e que seria por consequência ser feliz. Porém, agora, ao analisar nossa realidade vejo na verdade que a mulher pode ser o que ela quiser e ser como quiser.


A data de 8 de Março nos remete a um evento marcado por violência ao gênero feminino, mas também pela luta por um trabalho digno, condições e melhores salários. Mas pelo que realmente lutamos? o que as mulheres buscam hoje? O feminismo atende as todas as lutas femininas? Estamos ouvindo todas as vozes do gênero feminino? Que mulher queremos ser? pelo que as mulheres lutam? Qual o significado histórico, social e político do dia 8 de Março?





Historicamente, o dia 8 de Março marca um evento de violência contra as reivindicações de trabalhadoras americanas que pediam igualdade de direitos no ambiente de trabalho, comparado com os homens que executavam as mesmas tarefas e por jornadas menores para os trabalhadores. Essa reivindicação se deu através de greve das trabalhadoras que pararam para assim obter a atenção dos responsáveis pela fábrica e da comunidade para suas necessidades não atendidas, mas a polícia e responsáveis do local responderam com violência ateando fogo dentro da fábrica quando as trabalhadoras estavam encurraladas dentro das instalações. A expectativa era o diálogo porém a realidade trouxe a manutenção da ordem através de violência. E ao longo da história da humanidade os homens exercem posições de poder e ocupam os espaços públicos, já as mulheres estiveram restritas aos espaços privados e em sua maioria em atividades domésticas relacionadas ao cuidado da família.


Com o surgimento do capitalismo e o aumento dos postos de trabalho as mulheres foram ocupando esses lugares, para sobrevivência, por que queriam trabalhar e até mesmo para contribuir para o sustento da família. Essa mudança não ocorreu de forma tranquila, a sociedade, de forma geral, não aceitou a presença das mulheres nesses espaços antes ocupados em maioria pela presença masculina.


Nós mulheres precisamos lutar. Nossa luta não é aquela em que vemos armas e combate de corpos, nossa luta é feita por diálogo e atitude, assim como na maneira de enxergar e principalmente de respeitar a nossa existência. As mulheres estão em busca de autonomia, igualdade, respeito e liberdade para ser o que são e como são. E como seria ser mulher?


Não existem regras para ser mulher, a existência feminina acontece ao permitirmos e aceitarmos a biologia do corpo feminino e suas peculiaridades. Não é preciso que digam as nós como nos comportar, como nos vestir, onde trabalhar, no que trabalhar, como devemos ser mães, esposas, filhas, avós, sobrinhas, amigas e companheiras, as mulheres sabem como ser mulher. A nossa luta é para obter autonomia para escolher, escolher como desejamos nossos corpos, como desejamos que funcione nosso aparelho reprodutor, em que profissão vamos seguir ou se iremos nos ater somente ao cuidado da família. Se queremos professar uma fé ou acreditar que viemos apenas de uma explosão. Queremos apenas ser mulher!


Gabriela Salles é formada em História e Direito pela Unisal, pós graduanda pela PUC RS. Membro do Instituto de Estudos Valeparaibanos.

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