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Duas visões da ética

Atualizado: Out 7

As condutas sancionadas moralmente pelos grupos humanos constituem obrigações que, aceitas ou não por cada um dos membros desse grupo (sempre haverá o descontente) a todos se impõem como regra, isto é, como dever social – eis o fundamento da ética. Assim, respeitar a propriedade alheia, por exemplo, é, na sociedade capitalista, uma obrigação fundamental, daí por que o Direito o instituirá, colocando como crimes o roubo, o furto e o latrocínio; também o descanso do cidadão é direito e vem protegido por uma norma jurídica que, a rigor, até seria dispensável numa sociedade em que as pessoas fossem realmente bem educadas.


Mas há comportamentos que são mais que exigíveis por se inspirarem em princípios religiosos – aí temos, então, uma ética transcendental, na qual as penas vão além do sistema penal da sociedade humana, ainda que com estas também convivam, o que é comum nas sociedades em que uma determinada religião seja como que obrigatória para todos.


Entre as condutas duplamente puníveis ganha significado na sociedade atual a asquerosa apropriação, por pessoas que tem acesso ao poder, de bens e valores públicos. Crime e pecado que produz dano ao povo em geral, mas principalmente aos mais pobres, porque a estes causará a diminuição e mesmo a falta de recursos para a satisfação de necessidades primárias, como saúde e habitação.


A corrupção ativa e passiva – não existe uma sem a outra – no serviço público precisa ser denunciada e combatida com severidade, não apenas pelos agentes do Estado diretamente responsáveis pela ordem pública (comprometidos, muitas vezes nesses delitos), como pelas lideranças religiosas, que às vezes confundem suas funções desde que lhes tenham sido prestados favores suspeitos pelos assaltantes dos cofres oficiais, que se escondem na capa de influentes homens públicos.


Para muitos, um mandato eletivo é oportunidade para bons negócios. É a consagração do “tirar vantagem” em todas as situações da vida; porém é preciso pensar no mal que essas atitudes causam a tantos outros. Essa modalidade de egoísmo é mais do que um crime: é um pecado!




Nelson Pesciotta - Licenciado em Filosofia e bacharel em Direito, Jornalista e sociólogo. Foi professor, diretor de escola e supervisor de ensino. No ensino superior, lecionou na UNITAU e na antiga FAENQUIL (hoje ELL-USP). Foi secretário da Educação e Cultura, em Lorena. Membro fundador do IEV – Instituto de Estudos Valeparaibanos.







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Com sede na cidade de Lorena (SP), o Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV) é uma associação sem fins econômicos, de caráter cultural, com atuação voltada ao desenvolvimento harmônico do Vale do Paraíba e à preservação de seu patrimônio histórico, cultural e ambiental. Fundado em 1973, o IEV atua em diferentes frentes, promovendo cursos, palestras, conferências, seminários, simpósios, debates e premiações, entre outros projetos, com o objetivo de estudar a realidade vale-paraibana e incentivar a produção e a pesquisa sobre o Vale do Paraíba.

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