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O Caminho como rumo

Quer conhecer a história da região? Comece por estudar o caminho pelo qual teve início o processo de ocupação e de sua formação. A Estrada Real: Caminho Novo da Piedade é a rota segura para a descoberta do que fomos, somos e podemos ser no futuro.


O Caminho Novo da Piedade foi construído para ligar a Capitania de São Paulo à do Rio de Janeiro, estendendo-se, por via terrestre, da Freguesia da Piedade, atual cidade de Lorena, à Fazenda Santa Cruz, dos padres jesuítas, próxima à cidade do Rio de Janeiro. Ele foi construído durante o século XVIII para transportar o ouro produzido em Goiás e Mato Grosso, passando por São Paulo, para, assim, evitar os perigos do mar e dos ataques de piratas, bem como realizar o transporte, evitar os extravios do metal precioso e facilitar as comunicações entre as duas capitanias.


No mês de março do ano de 1778, o quinto do ouro, devido à coroa portuguesa, foi levado de São Paulo para a Casa de Fundição e de Moeda do Rio de Janeiro por esse caminho. O acontecimento foi festejado pela administração colonial por causa da utilidade que representava aos “vassalos da Rainha” de Portugal. Com a sua conclusão, teve início a conquista e colonização de extensa área, antes inexplorada, no Vale do Paraíba do Sul.


A sua construção foi de iniciativa dos colonos, que representavam o interesse real de garantir o transporte do ouro e a cobrança dos quintos reais. Ao concretizar o empreendimento, ignoraram a população nativa. Os primitivos habitantes, compostos por vários grupos indígenas, aqui, como no restante da colônia, foram, além de ignorados, levados para a condição de servidão e/ou abatidos.


Com a sua conclusão, os resultados não tardaram em aparecer, alterando a paisagem da região dos “mares de morros”. Moradores foram se estabelecendo ao longo dos caminhos, senhores proprietários de terras e de escravos foram se instalando em terras que recebiam da Coroa, tornou-se frequente o número de viajantes que percorriam o caminho em direção aos grandes centros na capitania de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Para atender às novas necessidades, foram sendo construídos os ranchos na beira do caminho, ponto de abrigo e pouso; as primeiras capelas, lugares de acolhida; e surgindo os primeiros povoados, que continuam mantendo a mesma disposição de suas origens.


O processo de interiorização guiada pelas autoridades metropolitanas e realizada pelos paulistas, seguida do desenvolvimento do comércio com o Rio de Janeiro, recebeu novo impulso com o início da produção e exportação de café no final do século XVIII. No início do século seguinte, com a presença da corte, o comércio ampliou a importância deste caminho. O Caminho Novo, construído para transportar o ouro, ganhava uma nova função: a de transportar café, a riqueza que sustentaria o Brasil Império.


O conhecimento do Caminho Novo da Piedade e de sua importância histórica torna-se relevante para se refletir sobre o presente e sobre as ações voltadas para o futuro, em especial no repensar das possibilidades que se abrem com vistas à reutilização como rota turística de alcance nacional.






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